quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Amor e liberdade


O vocábulo amor é tão complexo, tão cheio de significados e pode se referir a diferentes aplicações que os gregos criaram três palavras diferentes: eros,  philia e ágape. Três palavras para sentimentos que têm muita coisa em comum, mas para públicos diferentes. Para nós, ou na língua portuguesa, utilizamos amor de forma indistinta, tanto para namoro, como para amigo, familiares, pessoas desconhecidas etc. De qualquer forma, a palavra amor remete a um tipo especial de ligação, que não desenvolvemos por qualquer pessoa, mas para aquelas que passam a ser especiais.

Para o sentimento que envolvia atração física, sexo, intimidade, os gregos usavam a palavra eros. O amor erótico, o amor erotizado, que nós por vezes interpretamos como algo quase pornográfico. Revistas de mulheres nuas ou homens nus são vendidas como eróticas; sites que veiculam filmes de sexo explícito são tidos como sites eróticos, e assim por diante. Eros, na verdade, diz respeito ao prazer, diz respeito à fertilidade e à propagação da espécie.

Para o sentimento familiar, de amizade, de aconchego, eles usavam philia. Tanto que a própria palavra filosofia tem origem na junção de sophia, sabedoria, com philia, amizade, sendo o filósofo aquele que é amigo da sabedoria.  A diferença da philia para o eros parece óbvia, mas há uma semelhança, pois os dois sentimentos são dirigidos para pessoas específicas: o primeiro para o outro amado, o segundo para o familiar ou para o amigo. Philia sentimos por pessoas que estão na nossa vida por laços de sangue, um amor quase instintivo, pois há uma cultura que praticamente torna este amor obrigatório, e há aquele sentimento que desenvolvemos por pessoas que escolhemos amar, como os amigos.

Agora, para o sentimento de amor por uma situação ou por pessoa(as) os gregos usavam ágape, que é um sentimento desprovido de interesse individual, um sentimento que poderíamos traduzir aproximadamente por solidariedade. Atualizando ágape, desenvolvemos tal sentimento quando nos indignamos com alguma situação e nos estimulamos para resolver; quando olhamos o outro, especialmente aquele que está abaixo de nós na escala sócio-econômica, com sentimento de igualdade, de respeito e de atenção; o outro, o diferente, o despossuído, o reprimido são tratados de forma igual; mesmo o arrogante, o chato, aquele que incomoda são vistos com clemência. De certa forma, o amor-ágape é aquele que se estende pela humanidade.

Agora, para que todos os três tipos de amor se desenvolvam em plenitude é necessário a contrapartida, que é a liberdade. Sem ela qualquer amor se torna uma forma de escravidão. Se eros é acorrentado, o amado passa a ser propriedade do amante; o amor-philia é aprisionado quando, por exemplo, a mãe superprotege o filho ou quer vê-lo realizar os seus projetos frustrados, e quando um amigo se aproveita do outro ou tem por ele inveja por algum motivo; o ágape não se realiza quando há qualquer forma de sujeição, de desrespeito e de sentimento de superioridade, ou quando a atitude solidária mascara, na verdade, algum ganho individual de visibilidade da ação.

Amor, seja de qual tipo for, só se realiza, de fato, com liberdade. As pessoas devem ser e se sentir livres para amar e serem amadas. Sem liberdade há tudo, menos amor. Penso que hoje há muito sentimento que as pessoas chamam amor, mas que não são cultivados pela liberdade e, por isso, tornam-se sentimentos aprisionados. Talvez por isso é que encontramos cada vez menos o amor mais puro, o mais desprendido de todos, que é o amor-ágape...


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Eleições na UEM: quando perder não significa ser derrotado...


Neste ano tivemos as eleições para a reitoria da UEM. Passados os dois meses entre a homologação das quatro chapas concorrentes e a realização do segundo turno, a comunidade acadêmica escolheu a dupla que vai conduzir a nossa universidade de 10 de outubro de 2014 a 09 de outubro de 2018. Prentendo, aqui, fazer uma análise do processo eleitoral, destacando, especialmente, o trabalho da chapa 1. Mas, antes disso, quero parabenizar os professores Mauro Baesso e Julio Damasceno pela vitória nas urnas, vitória que indica que a comunidade acadêmica toda - pois eles ficaram em primeiro lugar nos três segmentos no segundo turno - quer mudanças na UEM.

Bem, a campanha da chapa 1, dos professores Mário Azevedo e Paulo Fernando, da qual participei como um dos coordenadores, foi uma das melhores que já me envolvi na UEM. Campanha limpa, propositiva, inclusiva; campanha que agregou, desde o início, muitos apoiadores; campanha cujo conteúdo programático foi pensado e executado coletivamente; campanha que teve muita adesão nas redes sociais; mas, especialmente, uma campanha que, desde o início, teve uma mote, uma espécie de mística que nadou contra a corrente da política em geral: nunca tivemos medo de perder.

Os princípios discutidos e acordados coletivamente nunca foram objeto de negociação para fins pragmaticamente eleitoreiros. A defesa da EAD, de que os alunos votassem eletronicamente, pois é tratando desigualmente os desiguais que se atinge a isonomia; a defesa pública e inequívoca da paridade nas eleições para reitoria, entendendo que a comunidade é constituída de segmentos igualmente importantes para decidirem os destinos da instituição; a não negociação e o loteamento antecipados de cargos de primeiro escalão, entendendo que a adesão a uma proposta não pode ser movida com fins egoístas e interesseiros. Enfim, o que mais me chamou a atenção e me fez apoiar com convicção a chapa 1 foi a tentativa de mudar a forma de se fazer política, implementar uma forma desprendida de interesses eleitoreiros, uma forma que recusou estabelecer um projeto de poder, e sim, um projeto realmente coletivo para a universidade.

Assim, tenho a convicção de que a perda nas urnas no primeiro turno não significou a derrota de um projeto. Pelo contrário, o projeto da chapa 1 era, claramente, uma alternativa ao atual estado da gestão universitária, uma alternativa de descontinuidade com o que se está praticando na UEM nos últimos quatro anos. Assim, a vitória da chapa 2 mostra que a comunidade quis, sim, a mudança; mostra que a comunidade quer outra opção de comando que desvincule a gestão da política de balcão, que desvincule a gestão de projetos absolutamente pessoais. A vitória da chapa 2 mostra, para mim, que o projeto da chapa 1 teve acolhida numa UEM que quer mudanças.

Há a necessidade de que projetos coletivos e individualmente desinteressados continuem sendo discutidos na UEM. Tenho certeza que o grupo (aliás, que belo grupo!!) que se uniu sem medo de perder, sem negociar princípios, vai querer continuar discutindo a UEM, vai querer burilar e aprimorar um projeto para toda a universidade. Assim é necessário, pois, se viver não é preciso, cada um pode fazer algo e JUNTOS PODEMOS, sempre, MAIS!!!


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Educação a Distância na UEM - momento de luto


As pessoas que me conhecem sabem que estou apoiando a chapa 1 para as eleições para reitoria da UEM neste ano de 2014, por acreditar que os professores Mário e Paulo são as melhores opções para administrar nossa universidade nos próximos 4 anos. No entanto, não escrevo aqui como apoiador de uma chapa, mas sim, como alguém que acredita na Educação a Distância (EaD) na UEM e que, desde 2008, vem trabalhando na coordenação do curso de Pedagogia nesta modalidade.

O que ocorre é que na segunda-feira passada, dia 04/08/2014, o Conselho Universitário (COU) decidiu que, diferentemente da eleição de 2010, os alunos da EaD não votarão eletronicamente nas eleições para reitor e vice-reitor da UEM. A decisão significa que os alunos da EaD terão que votar presencialmente em Maringá. O COU simplesmente alijou os alunos da EaD da votação, pois como são estudantes que frequentam polos, na grande maioria dos casos, em cidades distantes de Maringá, será praticamente impossível que eles venham para cá para exercerem seu direito ao voto. A Comissão Eleitoral, por sua vez, no dia de hoje (07/08), não acatou uma solicitação da chapa 1 de que os alunos pudessem votar, então, nos seus polos, pois ela entende que os alunos são ligados ao Núcleo de Educação a Distância e, como tal órgão fica em Maringá, os alunos são matriculados na sede e, portanto, reverberando a decisão do COU, decidiram que os alunos da modalidade EaD devem votar, presencialmente, em Maringá.

É um momento triste para a EaD da UEM; é um momento de luto!! É um retrocesso histórico a demonstrar que existem pessoas que ainda não acreditam na eficiência e eficácia desta modalidade. Infelizmente!! Tivemos que vencer muitos desafios e muitas críticas para institucionalizar a EaD na UEM e pensávamos que os maiores obstáculos já haviam sido vencidos. Parece que estávamos enganados. Vozes insensíveis se levantaram novamente. Parece que temos ainda muito a batalhar pelo reconhecimento da EaD. E uma das pautas é mostrar que, assim como foi na eleição para reitoria no ano de 2010, os alunos que frequentam cursos numa modalidade que não seja presencial têm o direito a votar eletrônicamente, ou que, pelo menos, que sejam colocadas urnas nos polos para que eles votem nos locais onde realizam as atividades presenciais.

Antes da decisão do COU, duas outras chapas (a 2 e a 3), das quatro que concorrem à reitoria nesta eleição, entraram com pedido no COU para que os alunos da EaD não votassem eletronicamente, alegando que se tratava de isonomia, de igualdade com os outros alunos. Ora, o que as chapas não entendem (ou não querem interessadamente entender) é que a melhor forma de se conseguir a igualdade é tratar desigualmente os desiguais.

É preciso reafirmar que o ataque que a EaD está sofrendo agora está ligado às eleições para reitoria da UEM e que, portanto, é preciso, também, que meus eleitores saibam que a única chapa que fez algo de concreto para defender os alunos desta modalidade foi a chapa 1, pois as chapas 2 e 3 expuseram seu preconceito publicamente e a chapa 4 não moveu uma palha em apoio da EaD da UEM.


sábado, 19 de julho de 2014

Amigos

Aquele era o dia,
O dia do encontro,
Do encontro de todos,
De todos aqueles
Amigos.

No começo
Boas conversas.
Depois,
Abertura e confidências.
Intimidade
Entre aqueles
Amigos.

Cada um se abrindo
Aos outros.
Especialmente,
Suas loucuras.
Assim eles foram,
Aos poucos,
Se tornando grandes
Amigos.

Contaram seus dramas,
Sem medo de serem
Julgados e censurados.
Conselheiros mútuos,
Assim se tornaram
Aqueles
Amigos.

Acho que amizade é isto.
Gostar de estar junto,
Aceitar-se mutuamente,
Refletir sobre a vida,
Dar força
Em momentos de crise.
Assim fazem,
Sempre,
Aqueles grandes
Amigos.

Cada um com seu
Jeito,
Cada um com seus
Gostos,
Cada um com sua
Loucura,
Cada um com sua
Beleza.
Mas,
Cada um se reconhecendo,
Um pouco,
Em cada outro.

Assim se tornaram
Grandes
Amigos.
Que assim continue.
Pois amizade assim,
Tem que ser mesmo
Para
sempre
!!!




domingo, 13 de julho de 2014

Crônica da Copa: finais


A melhor seleção ganhou a Copa do Mundo de futebol. Parabéns para a Alemanha!!!! O jogo foi digno de uma final: lutado, aguerrido, com entrega de todos os jogadores, oportunidades de gol, faltas duras e dois times com esquema tático bem definido, ocupando os espaços e procurando não dar espaço para o adversário. Uma Copa como a do Brasil merecia, sem dúvida nenhuma, uma final grandiosa. Parabéns também para a Argentina!!, pois mereceu estar na final e, por falta de precisão de seus atacantes, não fez gol primeiro. 

O jogo de sábado entre Holanda x Brasil acho que nem vale a pena comentar. A ressaca da derrota para a Alemanha ainda não tinha passado e, uma vez mais, revelou a fragilidade tática, técnica e emocional da nossa seleção. Tomar 10 gols em dois jogos é deprimente!!

O maior engodo, e talvez a razão direta, do fracasso da seleção brasileira na copa de 2014 é, na minha opinião, o clima que se seguiu à copa das confederações de 2013: o melhor time, o que fez mais gols e, principalmente, a vitória histórica de 3x0 sobre a então atual campeã mundial, a Espanha. Pois bem, vejamos como se saíram os adversários do Brasil naquela copa agora na copa do mundo:
- Japão: ficou em último lugar no seu grupo da fase classificatória
- México: caiu nas oitavas de final
- Itália: ficou em terceiro no seu grupo da fase classificatória
- Uruguai: caiu nas oitavas de final
- Espanha: ficou em terceiro no seu grupo na fase classificatória.
Alemanha, Holanda e Argentina nem jogaram a Copa das Confederações, mas ficaram em primeiro lugar nos seus grupos nas eliminatórias e estão aí como os três melhores times da Copa do Mundo.
E, em se tratando de futebol, desprezamos as "maldições", e uma delas em particular: nunca a seleção que foi campeã da Copa das Confederações foi, em seguida, campeã mundial...


A Copa do Mundo do Brasil foi um sucesso, sem dúvida nenhuma. Sucesso de público, de gols (171 igualando a copa da França de 1998), de organização, dos estádios e, especialmente, revelou para o mundo a hospitalidade e a cordialidade do brasileiro. Mas, confesso aqui, ainda meio anestesiado, sem compreender de fato o que aconteceu, que sonhei muito em ver a seleção brasileira levantando a taça.

A melhor de todas as copas com o pior time brasileiro dos últimos tempos!! 
Comemorar de um lado e chorar de outro!!
Ainda bem que daqui quatro anos estaremos todos, de novo, esperançosos do hexa. Quem sabe não será na Russia!!!!


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Crônicas da Copa: semi-finais


Errei feio!! Não acertei nenhum dos dois palpites. Alemanha e Argentina vão decidir a copa e Brasil e Holanda o terceiro lugar. Merecidas as classificações? Sim. Da Alemanha, sem dúvida alguma; a Argentina também mereceu porque foi melhor nos penaltis, só por isso. Quem realmente jogou bem foi a Alemanha; a Argentina fez um jogo burocrático contra a burocrática Holanda, e qualquer uma que ganhasse teria merecido. Holanda decepcionou por não conseguir sair da marcação argentina, mas também não deixou ela jogar. Pouco a se comentar sobre esse jogo.

Agora, falar do jogo do Brasil ainda é difícil. Torpor foi o que senti ao ver o massacre alemão na seleção brasileira. Primeiro o sentimento de indignação com o primeiro gol, pois foi um lance primário, um erro que não admitimos nem na pelada da segunda. Depois pareceu algo inacreditável o segundo gol (e logo do Klose!!); como assim, 2x0 já?? Agora, com o terceiro, o quarto e o quinto gols fiquei entorpecido, senti como tendo tomado uma anestesia geral que estava aos poucos fazendo efeito; fiquei quase sem reação, com uma vontade de dormir sem parar. Os últimos gols nem foram tão sentidos, somente o sentimento de vergonha que ia aumentando; o vexame que aumentava.

Como pode a seleção tomar uma goleada daquelas? Numa semi-final da copa do mundo? E em casa? Ainda custo a acreditar... Culpados? Sempre os achamos: jogadores ruins, sem experiência, despreparados emocionalmente; técnico arrogante, que criou uma família (família Scolari), mas não um time de fato, que convocou jogadores parceiros, mas não os melhores, com um esquema tático atrasado; cartolas brasileiros mais interessados no dinheiro do que no futebol, que não investem nas categorias de base dos clubes; enfim, vários culpados. Penso que a culpa deve ser repartida entre todos; todos devem se envergonhar, não pela derrota, mas pela forma como ela ocorreu. Acho que nem com Neymar e Thiago Silva venceríamos o jogo, mas, quem sabe, conseguiríamos levar para os penaltis e, assim, como a Argentina, chegar a final. Do jogo em si, talvez o culpado mesmo tenha sido o técnico, que não admitiu a inferioridade brasileira e não armou o time de forma defensiva mesmo.

A Alemanha, como venho escrevendo aqui, é realmente a melhor seleção do mundial, independente do resultado da final. Uma seleção da qual lembramos de pelo menos seis jogadores como ótimos, diferente das outras em que lembramos dois ou três de cada, é a melhor de todas. Um futebol vistoso, de conjunto, com um esquema tático definido e moderno, com um meio de campo que joga o tempo todo, esta é a Alemanha. Lembra o Brasil de outros tempos!!

Vou torcer pela Alemanha, ainda mais contra a Argentina, e este é meu palpite. Que venha mais um tetracampeão mundial. Se for assim, vai ser merecido. Se los hermanos ganharem, também merecerão, pois ganharão da melhor seleção do mundial. Pena que estaremos jogando no sábado e não do domingo, mas, devo aqui reconhecer, como, aliás, venho escrevendo, que não mereceríamos estar na final pelo fraco futebol apresentado até aqui. Que pena!!!


sábado, 5 de julho de 2014

Crônicas da Copa: quartas de final

Novamente deu a lógica. As quatro seleções mais fortes, com mais tradição chegaram às semi-finais. Vai ser um espetáculo assistir Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda. De certa forma é um grand finale para uma copa do mundo que superou todas as expectativas até agora.

Mas, falando dos jogos, na minha opinião o único que realmente foi bem jogado pela duas equipes, com emoção, chances de gol e belas jogadas foi Brasil x Colômbia. Nossos hermanos sul-americanos não se intimidaram e procuram jogar bola, com excessão, é claro, da lamentável e criminosa jogada contra o Neymar.

Os outros jogos não foram bonitos. Foram bons jogos, aguerridos, com emoção, mas apenas uma das equipes realmente resolveu jogar. Alemanha jogou e a França não conseguiu criar praticamente nada para tentar ultrapassar a muralha germânica; nem Benzema foi o mesmo. A Argentina jogou e a Bélgica também praticamente não incomodou; aliás eu já havia comentado que a Bélgica ainda não tinha me convencido e realmente eu estava certo, pois ela chegou com ares de forte concorrente ao título. Resta para franceses e belgas a certeza de que seus times são ainda novos, como muitos jogadores jovens, e que, por isso, têm tudo para fazerem uma próxima copa como a Alemanha está fazendo agora. A Costa Rica também praticamente não jogou contra a Holanda e, quando tentou fazê-lo quase fez um gol no final da prorrogação; os pênaltis brindaram o melhor time. Apesar de serem derrotadas, a Colômbia e a Costa Rica fizeram história aqui no Brasil. Portanto, venceram os times que procuram o gol, times que jogaram para frente e, com isso, mereceram estar na próxima fase.Vão ser os únicos a jogar sete jogos, ainda bem para a torcida que gosta de ver times jogando para fazer gols e não para se defender.

O Brasil jogou melhor que os outros jogos anteriores; isso é fato!! Mas, ainda temos problemas, ainda temos uma falta de criatividade no meio de campo que preocupa. Agora, então, sem Neymar, o jogo de equipe tem que sobressair. Temos ótimos jogadores além do Neymar, temos condições de formar um time que mostre que não pode existir dependência de um jogador. Todos lamentamos a ausência dele, mas temos confiança no grupo. Vai ser um jogo que deve entrar para a história do futebol.

Meu palpite para a grande final: Brasil x Holanda. Acertei os palpites para as semi-finais. Espero e torço muito para que meu palpite se concretize. Não tem mais favorito, mas não queria que o Brasil jogasse contra a Argentina a final, não por medo, mas porque torço, desde 1986, sempre por três seleções: Brasil, é claro, depois Holanda e França, pois são duas seleções que sempre me encantaram por seu futebol bonito, preciso e para frente; gosto da Holanda e da França porque sempre apresentam (ou procuram) apresentar um futebol muito parecido com o nosso, do Brasil.

Que venha Alemanha, a melhor seleção até agora no mundial!! Se conseguirmos passar por ela seremos, sem sombra de dúvida, favoritos tanto contra Holanda como contra Argentina...


terça-feira, 1 de julho de 2014

Crônicas da Copa: oitavas de final

Deu a lógica. Pela primeira vez desde que a copa do mundo tem o formato com 32 seleções divididas na primeira fase em oito grupos, que nas oitavas de final o campeão de cada grupo ganha seu jogo de oitavas de final e avança para as quartas de final. Os melhores seguem no campeonato. Mas foi uma lógica que se cumpriu a custo de muita emoção!!

Os jogos Brasil x Chile, Alemanha x Argélia e Argentina x Suiça mostraram que os favoritos tiveram que suar muito, pois fizeram partidas duríssimas e por alguma sorte não ficaram no meio do caminho. A Alemanha quando achou que tudo estava finalmente decidido levou um gol e teve que se segurar. A Argentina, depois de fazer seu gol aos 13 minutos da prorrogação, levou uma bola na trave que deve ter paralisado corações portenhos. Sobre o Brasil comento ao final.

A Costa Rica continua surprendendo, mas não conseguiu demonstrar contra a Grécia o mesmo jogo encantador da primeira fase, venceu nos pênaltis, com competência, mas mostrou falhas. A Colômbia continua brilhante, venceu seu jogo com autoridade e futebol de conjunto e prá frente; talvez tenha sido a partida de oitavas mais fácil, pois pegou um Uruguai fragilizado pela tolice do Luisito Soares, o mesmo time que perdeu feio para a Costa Rica na primeira fase. A Colômbia, além disso, brinda os fãs do futebol com o craque da copa até aqui, James Rodriguez.

França e Holanda tiveram jogos duros, mas conseguiram passar pelos seus adversários, Nigéria e México, ainda no tempo normal. A Holanda conseguiu seu primeiro gol na segunda parte do segundo tempo e a Holanda virou o jogo contra o México, de forma heróica, no final do jogo. Os dois times continuam entre os favoritos.

A Bélgica continua, para mim, uma incógnita. Jogou bem contra os EUA, mas precisou da prorrogação para vencer o bom time americano. A Bélgica chegou como uma candidata a ganhar a copa correndo por fora, mas ainda precisa mostrar tal força no próximo jogo. Por enquanto não me inspira confiança de poder ganhar da Argentina.

O Brasil... ah a seleção brasileira!! Nos deu um susto enorme e, para mim, mostrou mais fragilidades do que força. Terá uma ótima oportunidade para mostrar a que, realmente, "veio". Temos ótimos jogadores, temos Neymar, tão bom que ainda não encontraram adjetivo para ele, mas parece que não temos um time ainda. Temos emoção de sobra, mas demonstramos contra o Chile que carecemos de um esquema tático que faça jogar o que sempre tivemos de melhor, o meio-de-campo. Não aguento mais ver Júlio Cézar, Thiago Silva e David Luiz mandando a bola direto para o ataque... Estamos com uma neymardependência preocupante. Mas, temos ótimos jogadores, temos tradição, temos camisa e temos um técnico experiente para reverter a situação e recolocarmos a confiança na ordem do dia e, principalmente, estamos jogando em casa.

Para meus palpites para as semi-finais vou no óbvio: Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda. Dos palpites que dei para as quartas de final errei duas seleções. Tenho a impressão que das quatro seleções que aposto agora, é bem possível que uma fique pelo caminho. Se for para ser, que seja qualquer uma, menos o Brasil...


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Crônicas da Copa: primeira fase


Encerrada a primeira fase da Copa do Mundo de futebol no Brasil, quero compartilhar minhas impressões e previsões. Claro que muito do que vem a seguir outros (talvez muitíssimos outros) já tenham falado ou vão falar, mas para mim não importa, pois são as minhas impressões.

- Avaliação geral: a copa está sendo um sucesso. Sucesso de gols (136 marcados), com uma média das mais altas da história (2,83 por partida). Sucesso de público, pois em quase todos os jogos, praticamente a capacidade máxima dos estádios foi ocupada. Sucesso de turismo, pois milhares de estrangeiros vieram para o Brasil sem mesmo irem aos estádios.

- Estádios: a grande maioria muito bons. Boa estrutura, gramados muito bons, talvez com excessão da Arena da Amazônia e do Pantanal. O mais bonito em minha opinião é o de Brasília, o mais feio o de São Paulo. Problemas existiriam, especialmente no que diz respeito à falta de alimentos e o preços exorbitantes.

- Decepções: ninguém esperava que a Espanha saísse na primeira fase. Poucos esperavam que a Itália decepcionasse. Se esperava mais de Portugal e da Rússia. Para mim surpresa mesmo foi a Espanha, pois a Itália jogou em um grupo em que sua queda era possível mesmo. Já Portugal não foi surpresa total, pois o time depende do Cristiano Ronaldo que não foi bem, pois veio visivelmente machucado para a copa. Rússia jogou como sempre e perdeu como sempre.

- Surpresas: inegavelmente quem mais surpreendeu foi a Costa Rica, pois ninguém, nem mesmo os costarriquenhos esperavam a classificação, ainda mais em primeiro lugar no grupo da morte. A Argélia foi uma boa surpresa também. A Colômbia e o Chile não chegaram a ser surpresas, pois têm ótimos times e tradição em frequentar os mata-matas das copas.

- Melhores: na ordem, as seleções que mais encantaram até aqui foram a França, a Holanda, Alemanha, Argentina e Colômbia. França e Holanda com futebol mais vistoso e prá frente. Colômbia jogando muito bem. Argentina do meio para frente e com Messi se destacou, mas tem a defesa devassável sem muito esforço. A Alemanha, para mim, é o melhor time até agora, mesmo com o empate com Gana, pois tem o melhor esquema tático e o melhor conjunto.

- Brasil: jogou bem, mesmo contra o México. Mas está aquém do que nós brasileiros gostaríamos. Mostrou eficiência na marcação e na finalização, graças, é claro, ao gênio de Neymar. No entanto, o conjunto está devendo e o meio de campo não está tomando conta dos jogos. Sinal amarelo para o time!

- Previsão: os jogos das quartas de final, para mim, serão: Brasil x Colômbia, França x Alemanha, Holanda x Grécia e Argentina x Estados Unidos. É apenas uma previsão, considerando que em minha opinião para ganhar a copa os critérios são: 60% de competência, 20% de sorte e 20% de camisa/tradição.

De resto, torço para que, independente de quais seleções forem adiante,  a Copa continue sendo o sucesso que foi até aqui... e que o Brasil seja campeão, é claro!!!!


domingo, 22 de junho de 2014

(Des)Confiança...

Nave Enterprise

Acabei de assistir um dos últimos episódios da última temporada de Jornada nas Estrelas - a Próxima Geração, que foi ao ar no Brasil de 1987 a 1994. A trama da história reside na autogeração de uma nova forma de vida que começa a se desenvolver na nave Enterprise  e que, aos poucos, vai tomando conta de tudo. Como é um organismo em crescimento, suas atitudes, em um primeiro momento, se parecem com uma criança que vai descobrindo seu corpo, no caso, a própria nave, e do que ele (ela) é capaz de fazer. A primeira iniciativa dos tripulantes da nave foi de destruir o organismo, no entanto, como a missão deles era descobrir, interagir e respeitar desconhecidas e novas formas de vida, o Capitão Jean-Luc Picard  interviu no sentido de que se procurasse entender a nova criatura e, se fosse o caso, ajudá-la a se desenvolver. O problema é que a nova forma de vida estava aprendendo a viver se espalhando pela nave, a dominando e a controlando, colocando em risco as outras vidas. Quando a forma de vida estava quase formada, a tensão residiu se ela iria se instalar definitivamente na Enterprise, ou se ela de lá sairia. Se ficasse colocaria em risco a vida de mais de mil tripulantes entre humanos, betazóides, klingons, e outras raças do universo Star Trek; se fosse embora a criatura teria aceitado a ajuda e entendido as boas intenções de todos na nave. É claro que a última opção foi escolhida. Mas, o que me chamou a atenção foi um diálogo final entre o Tenente Comandante Data e o Capitão Picard, que se deu mais ou menos assim:

Data - Capitão, como o senhor sabia que a criatura deixaria a nave?
Picard - Eu não sabia Data. Mas se a criatura se alimentava da Enterprise, ela também se alimentava de nós, de nosso trabalho, de nossa cultura, de nossas expectativas, de nossos sonhos. Na verdade, fizemos uma aposta em nós mesmos, e mostramos que podemos ser confiáveis.

Fiquei pensando se hoje somos realmente confiáveis. Fico imaginando se uma criatura dessas aparecesse em algumas instituições nossas se poderíamos apostar que ela nos compreenderia. Aliás, fico imaginando se a primeira tentativa nossa não seria eliminar a criatura sem procurar entendê-la e respeitá-la como uma forma de vida diferente, mas igualmente importante. Confesso que hoje, nesta absurda hipótese, eu sou mais pessimista. No entanto, o episódio me parece, no fundo, uma grande metáfora do otimismo para com a raça humana. Na dúvida, talvez seja melhor, ainda, ficar com o Capitão Jean-Luc Picard!!!!


domingo, 8 de junho de 2014

(parte 3 e última) A fratura brasileira: pequenos ensaios sobre a copa


Dando continuidade e ao mesmo tempo terminando estes pequenos ensaios, passo a refletir o que significa, em minha opinião, uma divisão tão grande entre os que são favoráveis e os que são contrários à realização da copa do mundo de futebol no Brasil.

Em uma pesquisa recente de opinião do jornal local de maior circulação 51% eram contrários e 49% eram favoráveis ao mundial em nosso país. Mesmo levando em conta que tal pesquisa pode não ser precisa e nem exatamente representativa da opinião geral, o seu resultado revela uma diferença pequena de opinião o que indica que este assunto tornou-se realmente polêmico. Mais do polêmico, tal assunto revela, em minha opinião uma verdadeira fratura no tecido social brasileiro. Aquilo que era, talvez, a única coisa que representava uma identidade nacional já não mais comunga como antes. Penso que uma nação que quer progredir, que realmente quer resolver seus problemas, que quer crescer em cidadania e que quer exigir que seus políticos representem, de fato, os interesses da população, deve ter um sentimento nacional que vá além de preferências pessoais. O Brasil deve estar acima de nós, individualmente; os interesses coletivos e sociais têm que ser mais importantes que os interesses particulares e os de grupos organizados. Para isso, um sentimento nacional deveria nos guiar. A seleção brasileira de futebol não é e nunca foi unânime, mas sempre representou, de certa forma, um espírito nacional que congregava a grande maioria dos brasileiros. Se nem ela mais consegue isso, e na falta de qualquer outra coisa que nos congregue nacionalmente, penso que a fratura exposta tende a se tornar, em breve, um verdadeiro desastre, com repercussões inimagináveis. Torço para que, no fundo, isso que seja simplesmente pessimismo de minha parte.

Como já escrevi no post anterior, desde que o Brasil foi escolhido para sediar o mundial, eu me senti muito orgulhoso de ser brasileiro, da mesma forma que me senti assim pela escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. E me sentiria assim independente de quem governasse o Brasil, independente de qual partido estivesse no poder. E o fato de me sentir orgulhoso de ser brasileiro neste momento não me impede de ser critico de muitas coisas no Brasil, bastando, para isso, ver posts antigos e recentes deste blog. O que percebo é que o movimento de crítica à realização da copa foi, em boa parte, instrumentalizado politicamente para servir de desgaste aos que nos governam; é a cultura política no Brasil dos partidos de oposição que torcem sempre pelo pior, para que eles surjam como alternativas de poder. É o jogo da democracia? Jogo pobre e empobrecedor...

Vou torcer pela seleção como sempre torço, com muita emoção e entusiasmo... Mas, mesmo se não ganharmos o hexacampeonato continuarei sentido orgulho de que meu país, em plena era do padrão-fifa, conseguiu organizar a copa do mundo. Mas, depois que ela passar, seria democrático e republicano abrir as contas da construção dos estádios para que o brasileiro saiba realmente o total dos gastos e quem pagou a conta.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A fratura brasileira: pequenos ensaios sobre a copa (parte 2)


Dando continuidade à reflexão anterior quero, inicialmente, esclarecer que a intenção do post anterior foi comparar dois momentos em que a seleção brasileira de futebol e a copa do mundo são criticadas por motivos políticos e não comparar dois governos políticos do Brasil, pois é inegável, é incomparável mesmo relacionar um governo ditatorial como o militar, em que a democracia foi atacada em seus fundamentos, e um governo eleito democraticamente.

Voltando à discussão sobre a fratura social que eu identifico, quero refletir sobre os motivos apresentados pelos brasileiros para que o Brasil não sediasse a copa. Basicamente, o que se critica é o fato de que o dinheiro usado para construir os estádios deveria ser canalizado para outras necessidades básicas da população, como saúde, habitação e educação. Claro que é impossível discordar, se se tiver um mínimo de sensibilidade social, que o Brasil necessita, e muito, de mais investimentos sociais; também é inegável constatar que os estádios reformados ou construídos para os jogos do mundial custaram além do que poderiam custar se tivéssemos um planejamento e uma execução realmente sérias no Brasil; e, mesmo com gastos exorbitantes, alguns estádios somente ficaram prontos às vésperas do torneio, como o de São Paulo e o de Curitiba. No entanto, fico me perguntando qual o país hoje, no mundo, que não precisa de investimentos sociais; quais países no mundo que não têm suas crises sociais e que, caso se candidatassem para realizar o mundial, não receberiam críticas de sua população? O que se passa, em minha opinião, é que as críticas, independente da realização ou não da copa no Brasil, continuariam a ser feitas, pois não me parece, com toda a sinceridade, que o futebol é a causa de todos os males, mas, sim, um pretexto para se achar e se crucificar aqueles que são considerados os responsáveis pelas mazelas sociais. Desta forma sou levado a pensar que a copa do mundo em terras brasileiras expõe ou é expressão de uma fratura social muito séria.

O brasileiro, que se acostumou a se orgulhar de ter algumas coisas maiores do mundo, como a hidrelétrica de Itaupu e o estádio do Maracanã (que deixou de ser o maior do mundo após a primeira grande reforma anos atrás, quando retirou-se a arquibancada das gerais) parece que sofre, na verdade, de um complexo de pobre, que talvez derive de seu processo colonizador, cujo rompimento foi feito de cima para baixo, sem efetiva participação popular. Há uma espécie de psicologia da pobreza que introjeta na pessoa despossuída de bens evitar, por exemplo, certos lugares tidos como próprios para os ricos, como os grandes e caros shopping-centers. Me parece que tal sentimento se estende por grande parte da população que acha que o Brasil, por ser um país ainda com mazelas sociais, não pode sediar a copa do mundo, fato este que deveria ser reservado apenas para os países ricos.  O México, por exemplo, sediou a copa duas vezes, se bem que antes, ainda, do famoso padrão-fifa de qualidade, e a África do Sul sediou a última copa, já obedecendo tal padrão. Ficaram piores do eram? Poderiam ter melhorado sem a copa? Sinceramente, eu responderia negativamente às duas questões.

Penso que a copa do mundo não deve ser utilizada politicamente para encobrir nossos reais e complexos problemas sociais, econômicos e políticos. Penso, também, que a copa no Brasil não deveria servir de pretexto para fazer dela, ou mais propriamente, das críticas à sua realização, um instrumento político de fundo eleitoral. De minha parte, tenho muito orgulho da realização da copa do mundo novamente em terras brasileiras. Acho que o padrão-fifa de qualidade nos estádios é excelente para o conforto dos torcedores que não podem ser tratados com desrespeito (como, por exemplo, aconteceu na final do campeonato paranaense de futebol recentemente aqui em Maringá, quando mais de dois mil torcedores que já haviam comprado ingresso ficaram de fora do estádio porque não cabia mais pessoas, as quais, em sua maioria, estavam apinhadas e sentados em um cimento duro e sujo nas arquibancadas); será que não merecemos mais?? Será que não está na hora de exigirmos ser tratados como os torcedores são tratados nos estádios, pequenos ou grandes, da Europa?

Paro por aqui enquanto vou amadurecendo a terceira parte desta reflexão...


domingo, 1 de junho de 2014

A fratura brasileira: pequenos ensaios sobre a copa (parte 1)


Me proponho aqui a apresentar algumas reflexões sobre o contexto atual que envolve a realização da Copa do Mundo da Fifa no Brasil. Conversando com amigos, creio que é necessário se posicionar sobre a realização da copa aqui em terras tupiniquins, pois para fazer isto é necessário pensar sobre outros pontos que acabam por ser correlatos. Adianto que sou favorável a que o Brasil promova o principal evento esportivo do planeta. Mas, inegavelmente, a sua realização expõe uma fratura no tecido social brasileiro que pode ter consequências complicadas para nosso país.

O que ocorre hoje não me parece diferente do que ocorreu na década de 1970, especialmente no início, quando o Brasil, em meio ao regime militar, conquistou o tri-campeonato mundial de futebol, apresentando uma seleção tida como uma das melhores da história, com Pelé, Tostão, Gerson, Rivelino etc. As pessoas que ou militavam ou simplesmente eram contrárias a ditadura falavam que torcer para o Brasil em gramados mexicanos era colaborar com os militares, contribuindo ideologicamente com o governo repressor e de direita no Brasil. Eu, que comecei a militar na política em meados da década de 1980, que já era fanático por futebol, que tive o prazer e a dor de ver a seleção brasileira na copa da Espanha em 1982 (a melhor seleção brasileira que eu vi jogar), por vezes me vi impelido a controlar minhas pulsões futebolísticas e condenar o campeonato mundial conseguido no México, porque, para muitos companheiros de luta, vibrar com os lances reprisados na TV  (inesquecíveis) da final contra a Itália, era deixar de ser de esquerda e, por consequência, se tornar alienado. Confesso que tive crises internas, mas, ao final de contas, consegui separar as coisas em meu coração e mente e assumi meu gosto futebolístico, especialmente pela seleção brasileira, a qual sempre me inspirou um nacionalismo que eu gosto de cultivar, sem perder o senso crítico.

Mas, a questão que quero refletir aqui é sobre uma fratura social que, na minha opinião, a discórdia sobre a realização da copa representa para nós brasileiros. O Brasil, como muitos autores já descreveram, não tem um espírito nacionalista, como vemos, por exemplo, no EUA e no México (me lembro que quando passei o ano novo no México uma vez, em que meus cunhados convidaram amigos mexicanos para a festa em sua casa, as rádios tocaram o hino nacional mexicano à meia-noite). Aqui, talvez porque nossa nacionalidade foi resultado de articulações e ações de uma elite e nunca do povo em geral, como a Independência e a República, talvez por que nossas revoluções foram de cima para baixo e não o contrário, não desenvolvemos um espírito nacionalista, ao contrário, no geral o que percebo é uma certa vergonha de ser brasileiro. O futebol talvez tenha sido, desde a segunda metade do século XX, uma das únicas instituições que unia as pessoas em torno de um sentimento nacional (Airton Senna foi, com certeza, uma excessão à regra, pois nos sentíamos orgulhosos com as vitórias e demonstrações de nacionalidade típicos dele). Bem ou mal, o futebol fazia este papel, de união das pessoas, em determinados momentos, para além das divisões políticas, sociais e econômicas.

Paro por aqui hoje pois é apenas um início de uma reflexão. Além do mais, como algumas pessoas me recomendaram, quando criei meu blog, que as postagens não deveriam ser longas, o que procuro sempre seguir.